Paraquedismo Boituva como começou?

Aeródromo veio antes que a Castello
1967- A empreiteira responsável pela construção do trecho de Boituva da Rodovia Castello Branco, a Sermarso, tinha de transportar engenheiros com rapidez e decidiu construir um campo de pouso e decolagens. O campo foi construído exatamente onde existe hoje o Centro Nacional de Paraquedismo.O terreno foi cedido pela proprietária, Sra. Desdêmona Primo Pinezi. A autorização da pista tem como coordenadas 23° 17′ sul e 42° 41’oeste. Um piloto que sair do CNP e voar seguindo rigorosamente este meridiano, em direção ao norte do país, chegará a Brasília. A capital da República está no
mesmo meridiano, com diferença de apenas alguns segundos.1968- Boituva, que então não constava sequer dos mapas rodoviários do Estado aparece citada à página AGA-3-2 de uma publicação técnica da aeronáutica, a pista aberta e usada pela construtora
Sermarso aparece com o prefixo SSOP, e a publicação descreve a pista como tendo 950 m de comprimento e 100 de largura.
1969 – No dia 3 de novembro foi registrada escritura pública no Tabelionato de Porto Feliz (livro 60, folha 125) da venda de uma área chamada sítio Campo de Aviação, de Desdêmona Primo Pinezi para Alfredo Sartorelli. O nome do sítio, Campo de aviação, aparece até hoje nos documentos do INCRA.
Os primeiros saltos

Primeiro Salto de Paraquedas

1971- O advogado Newton Raul Faria de Almeida havia mudado de volta a Boituva dois anos antes, ele  residia  na Rua Seis de Setembro. Próxima à atual Eletropaulo onde funcionava a sede da Corporação Musical Sagrado Coração de Jesus. Newton Faria frequentava os ensaios sempre que tinha tempo livre e acabou se inteirando da situação difícil da Corporação e resolveu promover uma apresentação de paraquedismo para arrecadar dinheiro, mas apresentações aeronáuticas não podem ser feitas com fins lucrativos. Zeliza Franco de Mello confeccionou flores de pano untado com parafina e no dia da apresentação, postou-se na entrada da chácara Laureano (no final da rua 16 de Outubro). Cada espectador oferecia sua contribuição à banda e recebia em troca uma flor. A chácara ficou tomada pelo público. Um avião decolou da cidade de Americana e fez três lançamentos sobre um alvo improvisado, feito com pó de serra. Os primeiros paraquedistas a tocarem o solo Boituvense foram, pela ordem, Bié, Salti e Ademir.
A promoção rendeu um bom dinheiro à Corporação Musical Sagrado Coração de Jesus, então presidida por João Batista de Arruda (pai do médico Josemir Maurício de Arruda). O público mostrou-se surpreendentemente ordeiro. As fotos da época mostram a multidão disciplinadamente contida atrás das cordas que fizeram o isolamento. O que caiu sobre Boituva não foram apenas três paraquedistas – foi também a semente de uma ideia.

1° salto: Décio F. Almeida, Bié, Tancredo Primo, Eurico Ferriello, Salt, Lelo, Ademir e Roberto Faria de Almeida. Em 1971, a União Brasileira de Pára-quedismo era presidida pelo irmão de Newton Faria – Décio. Ele queria criar um centro nacional para a prática do esporte porque os pára-quedistas tinham
de disputar espaço com aviões nos clubes de todo o país. A cidade paulista de Limeira encampou a ideia e, em outubro de 71, seus vereadores se mobilizavam em busca da doação de uma área para sediar o centro nacional. “Por que não Boituva ?”, perguntou Newton a Décio Faria de Almeida. “Se Boituva der o terreno antes de Limeira, tudo bem.”
Nasce o Centro Nacional em Boituva
13 de outubro de 1971 – A União outorgou procuração pública para que Newton Faria recebesse, em nome do órgão ligado ao governo federal, “doação, comodato ou empréstimo de uma área”
para implantação do Centro Nacional de Paraquedismo. 14 de Outubro – Alfredo Sartorelli e sua mulher, Luiza Rosa Sartorelli, através de escritura particular, doaram uma área. de 66.500 m2 no sítio conhecido como Campo de Aviação pois não havia tempo de pedir ao INCRA da época o desmembramento da área inferior ao módulo mínimo de 15 hectares.O empresário Napoleão Jorge
também fez doação de uma área,mas colocou um advogado no circuito para oficializar o ato. Não havia tempo a perder, Limeira ultimava os preparativos para doar um terreno à União.
Quando o advogado colocou empecilhos à doação, Newton Faria viu seus sonhos desmoronarem e foi a Alfredo Sartorelli para desobrigá-lo da doação. “O que tem de fazer para que essa coisa não saia de Boiluva ?”,  quis saber o patriarca dos Sartorelli. “Preciso de mais uma área para fazer o alvo”, respondeu Newton Faria. A nova doação foi feita,desta vez em comodato (empréstimo por tempo determinado, mas renovável). Sr. Alfredo e dona Luiza doaram mais 27.708 m2 por quinze anos, renováveis por igual período quantas vezes fossem necessárias e de forma obrigatória, a menos que o CNP ficasse mais de dois anos parado.
A corrida contra o tempo foi ganha. Para a Boituvana de 1971 (que então era comemorada em 16 de outubro), um avião inaugurou o Centro Nacional, aterrissando em Boituva. Para a construção do
Centro, foi importante o trabalho do então prefeito Eurico Ferriello. 4 de novembro de 1971 – O ministério da Educação e Cultura pede à secretaria de Segurança Pública
de S. Paulo para que coloque à disposição o então administrador do DEIC, Newton Faria. Missão: implantar em 90 dias o Centro Nacional de Paraquedismo. Ele recebe atribuições oficiais da União para cumprir sua tarefa, de que deu cabo no prazo estipulado, retornando ao trabalho no DEIC depois de três meses.
No final de 1971, duas cidades disputavam o Centro Nacional de Paraquedismo, Boituva e Limeira. Quem doasse primeiro as terras para a implantação do CNP ganharia a parada.
O advogado Newton Raul Faria de Almeida, acompanhado do hoje vereador Antonio Carlos Nogueira, procurou Alfredo Sartorelli para pedir a doação. E o Sr. Alfredo, benemérito dacidade, fez a doação. Para oficializá-la, havia um problema: o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária – IBRA (em fase de transformação para INCRA), aceitava o parcelamento de propriedades rurais em módulos de no mínimo quinze hectares.Glebas menores tinham de ser autorizadas pelo órgão.”Não havia tempo para pedir a autorização”, lembra o advogado Newton Raul Faria de Almeida. “Se nós demorássemos
para doar o terreno à União, Limeira nos passaria para trás e sediaria o Centro Nacional.
A solução encontrada à época foi a escritura particular, assinada por Alfredo e sua mulher. Esta doação foi seguida de outra, por comodato por instrumento público, que faz menção à doação inicial. Acometido pelas complicações de uma diabetes, Alfredo Sartorelli morreu antes de os módulos rurais em Boituva passarem de quinze para três hectares, a partir do ano fiscal de 1983.
O Clube de Paraquedismo de Boituva
21 de novembro de 1971 – É fundado na casa de Newton Faria o Clube de Paraquedismo de Boituva (hoje extinto). Estiveram presentes, além do anfitrião: Alexandre Souza Bueno, Antonio Carlos
Nogueira, João Alfredo Sartorelli, Francisco Carlos Sartorelli, Zezito Rosa, Geremias Dalmazzo Neto, José Eduardo Sartorelli, José Carlos Camargo, Ítalo Malatrasi Júnior, Waldir Módolo, José Teodoro de Mari, Roberto Pegorelli e os convidados Aldamiro Dondon Filho (então instrutor do Clube de Campinas e hoje juiz de pára-quedismo da FAI), a pára-quedista Vera Lúcia Alcântara
Goulart e o presidente da União Brasileira, Décio Faria de Almeida. 13 de dezembro de 1971 – O Rotary Clube de Boituva cumprimenta em ofício Alfredo Sartorelli e Newton Faria.
Os rotarianos tomaram conhecimento de notícia publicada pelo jornal de Limeira. A nota parabenizava a “pujante e dinâmica cidade de seis mil habitantes” que havia passado a
perna em Limeira e atraído para si o Centro Nacional.
26 de dezembro de 1971 – É realizado o primeiro salto de Boituvenses em sua terra natal. Instruídos pelo Clube de Boituva, os primeiros atletas foram lançados pelo comandante do Cessna 180 PT-AFU, Avelino Alves de Camargo, de uma altura de 750 m e com ventos de quatro metros por segundo. O hoje cirurgião-dentista Pedro Carlos Dalmazzo foi o primeiro a saltar. Ele foi seguido de José Carlos de Camargo, Zezito Rosa e Antonio Carlos Nogueira. Na segunda decolagem, saltaram José Olimpio de Barros, Roberto Pegorelli e José Carlos de Camargo.

O Clube de Paraquedismo de Boituva realizou mais de mil saltos
Hoje está extinto,
o que é história para uma próxima vez…

— EXTRAÍDO DO JORNAL FOLHA DE BOITUVA DE 26 DE JULHO DE 1991 —

Newton Raul Faria de Almeida

NEWTON RAUL FARIA DE ALMEIDA é natural de Bauru- SP., onde nasceu aos 3 de novembro de 1934, filho de Roberto Faria de Almeida, natural de Laranjal Paulista – SP., e de Constânça dos Santos, portuguesa, natural da Freguesia de Arcos
Fundou em 1971 o “CENTRO NACIONAL DE PARAQUEDISMO”, de propriedade da Confederação Brasileira de Pára-quedismo, na cidade de Boituva-SP., foi Diretor Administrativo da Federação Paulista de Paquedismo, fundador, Diretor Administrativo, vice-presidente e Presidente em várias gestões, do Clube de Pára-quedismo de Boituva, enquanto a entidade se manteve em atividade.Foi e ainda é grande divulgador do município de Boituva, tornando-o conhecido até internacionalmente, o que lhe tem valido, ao longo do tempo, de Moções de Agradecimento, Aplausos, Reconhecimento, pela Câmara Municipal de Boituva, e por último, em 1992, foi agraciado com o Título de “CIDADÃO BOITUVENSE”.

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2 Replies to “Paraquedismo Boituva como começou?”

  1. complementação
    Para iniciar a divulgação do paraquedismo descohecio peloBoituvenses, o Decio promoveu um salto na chacara de se pae em Boitub=va, para despertar o interesse pelo municipio .
    Pena que não exploramos na cidde tipo domingo assista o salto de paraquedas, wtc… Foi apenas no interesse do salto lá, mas depois despertou para a prefeitura explorar junto com equipe UBP, Decio,Mack Dowel tratar da criação de um clube primeiro e depois,c onseguiram area para um centro , o que é hoje. isto primeiro salto em 66… no CNP hoje foi eu o primeiro a saltar la ( retifiquese que foi o Camargo, Zezito, etc, vide foto outra da inauguração que cita e foi em 70….eu, bie e lanceloti. antigo SATS S.P> gratos.. historia é historia, controversias…

  2. Vide foto primeiro salto em Boituva, inicio da fundação ao Centro Nacional de Paraquedismo., registro de doação da area 27.0000 mts/ em cartorio.
    Demos o primeiro passo, Prefeito da epoca, dono das terras, Newton Faria de Almeida, Decio Faria de Almeida, nós os paraquedistas : Ademir, e mais 2 alunos seus . Hoje tenho interesse em voltar a saltar ai em Boituva.
    Fui Instrutor de numero 2 pela União Brasileira de Paraquedismo, meu Instrutor Militar Sargento Monte Santo da Brigada Militar de R.J.
    Fundei e fui o Instrutor do Clube de Paraquedismo de Boituva.
    Qual o Clube que hoje me daria a honra de pertencer ao seu quadro de Paraquedistas ? Parei de saltar ai em Boituva em 1972 com 300 saltos.
    Na epoca a moda era fazer manobras de 360 graus esquerda, direita, loping, voltar a posição estavel ( antiga rã). em menor tempo possivel.
    E outra modalidade era por equipes e atingir o centro do alvo ( 50 mts ) em serragem pisando num circulo plastico de 10 cm ( mosca ).
    Aguardo contatos, abraços e até um breve. Bons saltos….
    Gostaria de encontrar alguns de minha época, fotos em arquivos amigos do paraquedismo : Ronan do antigo Clube de S.P., (os ) Petenás que na época iniciou com seus 15 anos a saltar…

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